Foco na Mídia

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domingo, 26 de outubro de 2014

Democratização da Mídia, passo importante para o Governo Dilma

Foto: Rafael Stedile

A esquerda quase viveu a maior derrota do século XXI nas eleições desse ano.

O conservadorismo do Congresso recém-eleito cria um cenário que evita o avanço de políticas progressistas, mas a vontade de mudança da população é real e deve ser traduzida em mais Democracia e mais progresso para não cair na mesmisse dos últimos quatro anos.

O discurso da vitória de Dilma Rousseff deixou claro que a Reforma Política é necessária. Porem, outras medidas também são essenciais para uma melhora da Democracia e do conhecimento político da sociedade.

É então que aparecem os gritos de “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” no público que escutava o discurso da vitória da presidenta reeleita.

A sociedade demanda avanço, mas o conservadorismo dos meios de comunicação chega diariamente às mentes dos cidadãos e funciona como uma gaiola, pois os conglomerados de imprensa tem uma postura natural de formar a opinião da sociedade através de similares valores, interesses e ideologias.

Com isso, temos uma população que exige avanço sendo informada em grande medida por jornalistas conservadores que evitam esse progresso à toda custa.

A esquerda sempre teve o costume de “assustar” os donos da mídia com medidas ousadas.

Esse panorama explica o desespero dos grandes jornais nessa reta final de eleição. A situação não irá mudar naturalmente.

É por isso que o avanço terá que ser “Imposto” pela própria sociedade. E um dos caminhos que conduz ao avanço é a regularização do setor da mídia, poder fundamental de qualquer Democracia do planeta.

O oligopólio midiático promove um discurso ditatorial e muitos políticos ainda são donos de meios de comunicação.

Essa característica da mídia brasileira troca o avanço democrático do país por interesses privados dirigidos à busca por lucro e influência.

A Constituição Federal proíbe a prática de oligopólio em seu artigo 220, parágrafo 5, mas a influência dos donos dos conglomerados é tão grande que conseguem contradizer a própria Carta Magna da República Federativa do Brasil sem sofrer nenhum tipo de represália.

Por outro lado, diversos políticos são favorecidos e eleitos constantemente graças às coberturas informativas de seus próprios jornais, revistas, rádios e televisões em um círculo vicioso que engana o povo com o quarto poder, justamente aquele que deveria esclarecer e evitar o abuso em um Estado de Direito.

Assim sendo, a Regularização Econômica da Mídia, medida defendida por Dilma durante a campanha, e a proibição do controle de meios de comunicação por parte de pessoas que exercem cargos políticos são medidas extremamente necessárias para o avanço democrático, político e social do país.

Uma lei que limite o tamanho dos conglomerados de imprensa dará espaço a outras vozes e outras ideologias que hoje ficam em segundo plano simplesmente por não ter condições econômicas e políticas de competir com gigantescos conglomerados.

Com isso, o sistema favorece quem tem poder, enquanto exclui quem se opõe de alguma forma. Esse panorama de desigualdade influi muito na percepção que as pessoas têm da realidade.

A Internet obviamente quebrou a hegemonia da Grande Imprensa em certa medida, mas a campanha eleitoral ferrenha e partidarista dos grandes meios de comunicação do país é prova de que o Brasil precisa democratizar sua mídia para melhorar a representatividade da população.

Caso contrário continuará pagando o preço de ter grande parte da opinião pública controlada por cinco famílias.

E esse preço é alto, como o PT sentiu na pele nos últimos anos - e especialmente nos últimos dias, com Veja, Globo e Estadão atuando no "tudo ou nada".

O PT ganhou e promete cumprir com as expectativas de mudança da população. No entanto, uma sociedade informada pelo discurso único nem sabe direito o que pretende, pois confunde seus próprios interesses com os que a imprensa aponta.

Um equilíbrio de ideologia e de representatividade nos meios de comunicação solucionaria essa situação problemática.

Mas somente uma medida ousada pode realmente quebrar esse panorama consolidado durante a história do Brasil.

O país exige avanço e o mesmo deve ser encontrado através de mais Democracia e da busca por mais representatividade.

Mas para isso é extremamente necessário encarar temas “cabeludos” na área da comunicação, pois o panorama atual protege a si mesmo e provém diretamente da Ditadura, período que criou grande parte dos problemas sociais, políticos e econômicos do Brasil.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Por que voto Dilma no domingo




Dilma Rousseff está longe de fazer um Governo que realmente me represente. Gosto bastante do equilíbrio que o PT buscar manter entre interesses comerciais e sociais, mas algumas posturas egoístas do partido, como a frenética busca por êxito eleitoral e o medo de implantar medidas por receio à reações políticas da oposição, me desagradam bastante. 

De qualquer forma, um novo governo Dilma defende muito mais meus valores e interesses que um possível governo Aécio. Abaixo cito alguns desses valores e vocês entenderão por que voto Dilma.

É importante lembrar que são razões extremamente pessoais. Gostaria que vocês tentassem entender os valores que defendo - avanço social e econômico sustentável, fortalecimento da Democracia e melhora da posição do Brasil no cenário internacional -, antes de fazer qualquer julgamento.

Enfim, vamos aos motivos.

Foco

Voto na Dilma por ter esperança de um governo mais à esquerda. Os mandatos de Lula mantiveram a estabilidade econômica de FHC e realmente mudaram o país através de políticas sociais nunca antes vistas no Brasil. Dilma, porém, se manteve no “continuísmo” e deixou bastante a desejar quando o assunto é novidade progressista. O PT ainda é um partido de massas que tem o lado social como principal destaque - apesar de muitas vezes deixar de lado esse foco para favorecer os interesses mercantis de certas empresas -, e, como a mudança que os brasileiros tanto esperam provém de medidas progressistas que façam o país avançar, e não de conservadores que puxam o freio de mão, o voto em Dilma supõe avanço, enquanto o voto em Aécio manteria o país no estado social atual – detalhe, dou mais importância ao estado da sociedade que a qualquer outra área.

Assim sendo, espero que um novo governo de Dilma siga o exemplo de Haddad e renuncie aos seus próprios interesses para implantar medidas que transformem esse país, independente do que pensem os conservadores e poderosos do país. Mas, aviso, se o governo do PT continuar com medo de perder votos e não arriscar perdas políticas provenientes de ações necessárias para a Democracia e para o avanço do Brasil, nas próximas eleições digo “não” à candidatura petista. Não quero que os petistas entendam isso como ameaça, mas sim como foco: o país precisa de transformações; se o PT continuar com medo de implantar mudanças, quem vai se transformar é o próprio partido; e então voltaremos a dar o poder aos conservadores, como fizemos no primeiro turno.

Projeto econômico

O intervencionismo consegue diminuir a desigualdade social do país, grande problema nacional que deriva em muitas outras adversidades; enquanto o neoliberalismo de Aécio favorece o crescimento econômico (para quem?), deixando os interesses da sociedade em segundo plano. Nesse sentido, escolho Dilma sem nenhuma dúvida e tenho plena confiança de que sua equipe de governo conseguirá mudar o ciclo que esgotou desde o ano passado. O mercado interno não gera mais crescimento na economia, então o Brasil terá que apostar no investimento em infraestrutura (principalmente transportes) e educação (esse dinheiro tem que chegar nas escolas, então vamos cobrar Estados e Municípios, que são os que aplicam o investimento). Pelas declarações de Guido Mantega, o rumo da política econômica será esse e tem tudo para dar certo. Voto em Dilma para evitar o neoliberalismo que corroeu a estrutura social do Brasil e mais recentemente de alguns países da Europa – inclusive da minha querida España – e aposto na mudança de política econômica para recriar o crescimento que necessitamos para manter o modelo intervencionista fora de uma possível crise.

Política internacional

Foi sob a bandeira da esquerda que o Brasil se firmou como o grande ator político da América Latina. A aliança com os demais países dos BRICS já supõem a possibilidade de mudança da ordem mundial e a política regional feita no continente realmente traz resultados positivos para as classes mais necessitadas da sociedade. É com isso em mente que afirmo: o Brasil está no caminho certo e deve se manter nele. Ao meu modo de ver, é melhor ser líder de países pequenos que ser desconsiderado por países grandes. A Europa e os EUA dominam há muito tempo e dificilmente abrirão mão de seus interesses para favorecer o Brasil. Portanto é preciso encontrar nosso avanço em outras áreas do mundo, e a postura atual da diplomacia brasileira possibilita isso. 

Corrupção

Não voto na Dilma esperando eleger um Governo completamente isento de práticas corruptas, pois simplesmente não existe um governo sem corrupção ou um candidato “salvador” – o último eleito para acabar com essa chaga que limita o potencial do Brasil foi Collor, e o resultado final não foi positivo. São necessárias, por outro lado, medidas que limitem essa prática. Acabar com o foro privilegiado, incentivar a independência da Polícia Federal, por um fim ao financiamento privado de campanha e a produzir mecanismos que facilitem a condenação de políticos “poderosos” são alternativas que diminuem ou limitam a prática corrupta. Ao meu modo de ver, Dilma incentivará essas medidas, pois necessita argumentos para contrabalancear as fortes acusações de corrupção que seu governo sofre. Aécio, por outro lado, seria eleito e nada faria nessa área, pois seus amigos da imprensa simplesmente esconderiam grande parte das maracutaias de seu governo e aopinião pública não teria acesso às mesmas.

Democracia

Dilma é a candidata que pode promover medidas que fortaleçam a Democracia brasileira. A tão desejada Reforma Política e a Regularização econômica da Mídia são medidas que favorecem os princípios democráticos, cujos valores giram em torno da igualdade de direitos e da diversidade de ideologias, vozes e culturas. O incentivo à diversidade na mídia é extremamente necessário, e foi prometido por Dilma. Eu vou cobrar. Voto no PT acreditando que essa promessa será cumprida, pois ela transformará o Brasil e o entendimento que os brasileiros têm da política através da limitação dos gigantescos e extremamente poderosos conglomerados de mídia que chegam diariamente às casas de milhões de brasileiros e brasileiras.

Conclusão

Essa é somente minha visão do mundo e algumas das razões que me motivam a votar 13 no domingo. Não quero entrar em muitos detalhes para não fazer um texto gigantesco.

Não exijo a concordância de ninguém, mas sim o respeito. Aceito qualquer argumento, assim como espero ser aceito pelos demais. Mas fujo completamente de juízos de valor que provém diretamente do ego insatisfeito das pessoas. 

Espero que o país melhore independente de quem vença, então continuarei lutando pelo que acredito independente de quem seja eleito presidente no domingo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cenário midiático favorece Dilma e atrapalha Aécio na reta final


A agenda midiática mudou completamente desde semana passada e agora ajuda a candidatura de Dilma Rousseff.

O envolvimento de tucanos no escândalo da Petrobrás, o agravamento da crise hídrica de São Paulo e uma entrevista do jovem Aécio, feita em 1977 nos Estados Unidos, supõem um aumento de armas políticas do PT e uma diminuição das ofensivas tucanas.

Com isso, Dilma tem um cenário favorável para sua reeleição no domingo, situação que se confirma com a pesquisa Datafolha de anteontem (20/10) - nela, a petista está quatro pontos na frente de Aécio, 52% contra 48%, em um cenário de empate técnico pela margem de erro.

A aparição do nome de Sérgio Guerra - ex-presidente do PSDB falecido em março - entre as delações de Paulo Roberto Costa e as acusações - não comprovadas - do auxiliar do doleiro Alberto Youssef de que existem outros tucanos envolvidos no pagamento de propinas do esquema limitaram o uso político que o PSDB pode fazer do caso de corrupção da estatal.

Por isso, com exceção da Folha, que colocou o envolvimento de Sergio Guerra em sua manchete principal da sexta-feira (17/10), os jornais da Grande Imprensa evitaram colocar o assunto nas capas, pois o caso já foi explorado ao máximo pelos tucanos.

Mas pelo PT não. E o partido ainda vai usar o tema para se defender.

A estratégia do partido é provar que a corrupção não é exclusividade dos petistas. Portanto, as notícias que mostram tucanos envolvidos no escândalo da Petrobrás são um presente para quem argumenta a favor de Dilma.

Outra questão que favorece Dilma é a falta de água em São Paulo, que agora sim é um “baque” para a campanha tucana.

O agravamento da crise e a real exposição da seriedade do caso nos principais jornais do país, que começaram a tratar o tema com mais profundidade depois da reeleição de Alckimin, mostraram ao público que o problema é mais sério do que parecia.

A Sabesp já tem prejuízos de mais de 1 bilhão por causa do bônus oferecido a quem economiza e, mesmo com a permissão da Agência Nacional de Águas para usar o segundo volume morto, o fim do estoque pode acontecer em novembro, dependendo dos resultados dessa nova medida preventiva – se não fosse a utilização do primeiro volume morto, o Sistema Cantareira estaria com uma capacidade negativa em 14%, mas hoje a disposição de água do sistema está na casa de 3% de sua capacidade.

Essa situação de crise já foi - e continua sendo - usada por Dilma Rousseff em sua campanha e, pelo visto, a crise em São Paulo está afetando a campanha de Aécio.

O PT e a imprensa progressista enfatizam o problema dizendo que esse é o “modo tucano de governar”, o que atinge o candidato à Presidência e seu tradicional modelo neoliberal de gerir o Estado.

Assim sendo, o agravamento da crise da água abriu um campo de ataque com profundos potenciais políticos, pois o recurso em falta no caso é básico para a vida de qualquer ser humano na Terra.

Quando uma pessoa não recebe o fornecimento de um recurso básico para a vida, tende a se indignar. Com esse sentimento, o cidadão exige um culpado. E como São Pedro não é uma pessoa física, a culpa no geral recai em Alckimin – apesar dos tucanos fanáticos continuarem isentando o Governador.

Ou seja, o PSDB cedo ou tarde vai sentir os efeitos políticos da séria crise que afeta São Paulo. 

E para o PT é melhor que eles sintam esses efeitos agora.

Para complementar o azar dos tucanos, o jornalista Paulo Moreira Leite encontrou uma polêmica entrevista de Aécio Neves concedida em 1977 a um pequeno jornal norte-americano. O candidato tinha 17 anos na época e visitava uns amigos que faziam intercâmbio.

Nas declarações publicadas, Aécio afirma que “todos no Rio têm uma ou duas empregadas, uma para cozinhar e outra para limpar”.

Também declarou: “nunca fiz minha própria cama”; além de dizer que “a maioria das mulheres (do Brasil) não trabalha porque financeiramente não precisam, [...], então passam a maior parte do tempo na praia ou passeando em diferentes shoppings”.

Essas palavras provavelmente não ganharão repercussão na Grande Mídia, mas na Internet e no Facebook, onde a campanha corre solta, as palavras de Aécio são avassaladoras para sua candidatura, pois comprovam uma das teorias que os petistas usam para desconstruir sua imagem: a de que Aécio é um “menino mimado” que não entende o mundo.

Como dar a presidência a uma pessoa que nunca passou dificuldade na vida? É essa pergunta que o PT pretende destacar para evitar a ascensão do tucano.

Enfim, analisando o panorama geral em que a corrupção da Petrobrás não tem a força política de antes, a crise da água começa a aparecer de verdade e Dilma ultrapassa Aécio nas pesquisas enfatizando os problemas pessoais do ex-governador de Minas Gerais, o jogo está a favor do PT nessa reta final - a não ser que aconteça algo que mude completamente a situação.

Nada está decidido, pois ainda falta o debate da Rede Globo da próxima sexta-feira (24/10), que pode ser chave para a decisão dos eleitores indecisos.


Mas Aécio foi parcialmente desarmado enquanto Dilma recebeu um pacote novinho de material bélico/político para atacar o tucano. E essa mudança no cenário terá um importante peso no final da guerra do segundo turno.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Lula critica jornalistas globais e Globo critica Lula com jornalistas.

Dilma e Lula no comício de Itaquera (acima); título do post publicado no "Blog do Noblat" (abaixo)


Em um comício realizado ontem (20/10) ao lado de Dilma em Itaquera, Zona Leste da cidade de São Paulo, Lula falou sobre a polarização política existente entre PT e as Organizações Globo.

“Daqui para frente, é a Miriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela na periferia. É o Bonner falando mal dela no Jornal Nacional, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles”, afirmou em discurso.

A declaração foi entendida como uma “agressão” e uma "ameaça" à imprensa por jornalistas da Globo. O conglomerado se deu direito de resposta e, em uma notícia que mistura informação com doses de opinião, enganando o leitor através da apresentação subjetiva de fatos, o jornalista Germano Oliveira informa que a declaração de Lula foi uma “agressão”.

O texto entende que a afirmação de Lula “foi além da crítica institucional e citou nomes de jornalistas: Miriam leitão, que trabalha no GLOBO, na TV Globo e na Globonews, e William Bonner, apresentador do ‘Jornal Nacional”.

Germano tem razão quando diz que Lula "foi além".

A notícia faz um juízo de valor ao julgar que Lula "agrediu" os jornalistas, porém, a declaração do ex-presidente realmente foi irresponsável por citar nomes de opositores em época de profunda paixão partidária e fanatismo político. 

Uma declaração dessas pode gerar agressões a seres humanos, assim como pôde acontecer com Gregório Duduvier na semana passada. O humorista praticamente declarou apoio à Dilma em sua coluna na Folha de S. Paulo e, enquanto almoçava em um restaurante do Leblon, um cidadão que também almoçava disse que ia embora para não "acabar metendo porrada nele".

Enfim, a declaração do ex-presidente pode gerar consequências negativas, portanto foi equivocada. Entretanto, independente das possíveis consequências que ela pode gerar, Lula não falou nenhuma mentira.

A oposição de Miriam Leitão e William Bonner acontece principalmente através de enfoques tendenciosos e interpretações selecionadas de dados econômicos.

Essa oposição disfarçada se confirma com a postura geral dos jornalistas da Globo.

Ricardo Noblat, blogueiro da versão digital do jornal O Globo, foi além e, em sua interpretação publicada hoje de manhã, abusa da ironia afirmando que Lula estava “aparentemente sóbrio” quando “ameaçou” a imprensa.

Ora segundo esse ponto de vista, somente uma pessoa embriagada tem coragem de falar mal da poderosa Rede Globo sem temer represálias.

Ou será somente um puro ataque pessoal, partidarista e tendencioso?

No texto, Noblat interpreta a postura geral do PT.

“O PT se vale de todas as armas, as legítimas e as vetadas pelo senso comum para não perder o poder que conquistou há 12 anos. Vale, vale tudo. Vale a manipulação de informações, vale a mentira deslavada, vale a pressão sobre os mais vulneráveis”.

Ele tem razão em parte. A política é realmente um jogo sujo em épocas de profunda polarização e de decisão eleitoral. E o PT, por ser um partido de massas com objetivos eleitorais, realmente utiliza ferramentas tendenciosas para atacar adversários, assim como os próprios adversários utilizam recursos pouco éticos para agredir o PT. São práticas moralmente erradas, mas que surtem efeitos nas urnas, por isso são corriqueiras na Política.

É tão normal que a crítica do blogueiro serve perfeitamente para ele e para a Rede Globo.

Aliás, basta selecionar o mesmo parágrafo citado anteriormente, substituindo o sujeito da oração - o PT – por “Rede Globo” e o tempo de domínio de poder indicado – os 12 anos de governo do PT -, que o sentido curiosamente se mantém.

Ficaria assim: “a Rede Globo se vale de todas as armas, as legítimas e as vetadas pelo senso comum para não perder o poder que conquistou há 50 anos. Vale, vale tudo. Vale a manipulação de informações, vale a mentira deslavada, vale a pressão sobre os mais vulneráveis” – os grifos destacam as palavras substituídas.

O contexto que surge com a substituição encaixa ou não?

Isso demonstra como a Grande Imprensa carece completamente de auto-crítica. O orgulho no jornalismo é tão grande que a crítica realizada a terceiros serve para a própria Globo. E isso acontece com muitos jornalistas brasileiros.

Os enfoques partidaristas não são exclusividade de Miriam Leitão e William Bonner, outros jornalistas também fazem oposição.

Ricardo Noblat, Germano Oliveira, William Waak, Arnaldo Jabor, Merval Pereira, Diogo Mainardi e muitos outros jornalistas da Globo ignoram seus próprios defeitos e enfoques tendenciosos quando realizam uma cobertura informativa que critica políticos de forma parcial e interessada.

A declaração de Lula foi irresponsável, mas tem base real: “agora somos nós contra eles”, afirma. A repercussão dessa declaração comprova que a guerra ideológica é um fato e vai continuar inclusive depois do segundo turno.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dilma incentiva pluralidade da mídia; Aécio favorece o oligopólio



Os modelos de Dilma e Aécio, que disputam a presidência dia 26, têm formas muito diferentes de gerir a educação, saúde, economia, etc.

A relação com a mídia é outro dos muitos contrastes existentes entre os candidatos.

Essa diferença será mais nítida no futuro, quando um deles assumir o Palácio do Planalto, mas, pelo que vêm falando nos últimos meses e durante a campanha, já é possível determinar como cada um tratará a imprensa em um eventual mandato.

Primeiramente, um novo governo de Dilma manteria as políticas atuais de distribuição de publicidade governamental. O Governo é sempre um dos maiores anunciantes do país e essa veiculação de publicidade de programas e avisos supõe mais recursos para os meios de comunicação do Brasil, assim como qualquer anúncio de empresas privadas.

A gestora dessa publicidade oficial é a Secom, Secretaria de Comunicação Social, que atualmente atua segundo a política de levar os anúncios ao maior número de pessoas possível.

Assim sendo, a publicidade oficial do Estado é majoritariamente dirigida aos grandes conglomerados de mídia do país – ou seja, a Grande Imprensa -, que possui maior audiência entre os meios de comunicação brasileiros.

Porém, desde o primeiro Governo Lula, os gastos com publicidade governamental aumentaram, - os dados estão disponíveis aqui - junto com o número de beneficiados, para favorecer meios de comunicação de pequeno e médio porte, que não recebiam grandes incentivos antes de 2003.

Com essa nova política distributiva, veículos de comunicação regionais, digitais e alternativos passaram a receber mais recursos do governo, enquanto os recursos dirigidos à Grande Mídia foram levemente reduzidos.

A intenção é tímida, mas incentiva a diversidade dos meios de comunicação do Brasil, ampliando a pluralidade ideológica e de representação dos jornais, rádios, revistas, etc.

Essa postura provavelmente não seria seguida por Aécio.

A Grande Imprensa conservadora, que apoia os tucanos desde sempre, se sentiu desfavorecida com a maior divisão de gastos públicos com publicidade oficial.

Os conglomerados de imprensa perderam uma parte dos recursos que recebiam e viram seu oponente ideológico – a imprensa progressista, que faz parte da mídia alternativa e inclusive revela escândalos da Grande Imprensa – ser ajudada pelo Governo do PT.  

Como Aécio e Grande Imprensa têm relações estreitas, um eventual governo do tucano iria ceder à influência dos grandes jornais limitando a oferta de publicidade oficial às grandes empresas de comunicação do país.

Isso significa ainda mais recursos para Globo, Folha, Estadão e Abril, e menos ainda para blogs e órgãos de imprensa progressistas como Carta Capital, Brasil 247, Revista Fórum e Jornal GGN. Além, claro, da redução de publicidade dirigida a jornais e revistas regionais, que cobrem os fatos cotidianos de pequenas áreas do país.

É interessante lembrar que, da mesma forma que a Grande Imprensa pressiona os tucanos para receber mais publicidade oficial, a imprensa alternativa pressiona o PT para limitar os recursos dirigidos aos conglomerados de imprensa.

O argumento que sustenta essa postura é o de que a Grande Mídia, que construiu seu “império” durante o regime ditatorial, já possui lucros que provém de suas propriedades cruzadas - das diversas rádios, televisões, jornais, revistas, canais de TV a cabo, editoras, institutos de pesquisa, etc.

Por outro lado, os meios de comunicação alternativos e regionais são exclusivamente bancados pela publicidade que recebem. É um desequilíbrio que surgiu na Ditadura e se mantém até hoje, quase 30 anos depois da abertura democrática.

Com isso, o corte de publicidade oficial dirigida aos pequenos meios de comunicação do país cria problemas para os mesmos. Muitos fechariam por falta de recursos e outros, mais fortes, continuariam de forma absolutamente independente ao Governo.

A oferta de diversidade ideológica seria reduzida junto com a quantidade de meios de comunicação. E, como a Democracia é baseada na pluralidade, diversidade e direito de representação de todos coletivos da sociedade, a diminuição da oferta de meios de comunicação teria um efeito negativo para a democrática formação da opinião pública.

Portanto, o oligopólio no setor da imprensa, que possui uma única ideologia e visão do mundo, seria fortalecido em um eventual governo de Aécio.

Buscando evitar um panorama em que grandes conglomerados de mídia dominem a comunicação do país, a Constituição Federal proíbe a formação de monopólio ou oligopólio na imprensa em seu artigo 220, § 5º – “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objetivo de monopólio ou oligopólio”.

O artigo, porém, nunca foi regulamentado. A falta de leis específicas que cumpram a determinação do parágrafo 5 do artigo 220 cria um vazio legal que permite a existência de oligopólio na imprensa.

Com isso, os conglomerados da Grande Mídia brasileira concentram audiência e influência, deixando as “migalhas” para outras ideologias e vozes da sociedade.

A solução para a situação seria uma regularização econômica da imprensa, medida que foi aprovada por Dilma em entrevista a blogueiros progressistas, mas que desde o governo de Lula vem despertando a “ira” dos poderosos chefões da Grande Imprensa.

A regularização exigiria por lei que os conglomerados vendessem algumas empresas para chegar a um determinado tamanho, adaptado aos padrões democráticos. Porém, essa medida supõe perda de propriedade e de lucros para as empresas, motivo pelo qual eles - e Aécio, que conta com seu apoio - se opõem a qualquer ação que limite a propriedade cruzada.

Como o oligopólio favorece o discurso único de uma ideologia e exclui outras vozes da produção informativa do país, sua consolidação supõe perdas de características democráticas para a sociedade brasileira.

Os países europeus sabem disso e são exemplo de pluralidade informativa na mídia.

Países como a Espanha, por exemplo, têm grandes meios de comunicação com ideologias muito diferentes. O progressista El País possui audiência pouco maior ao conservador ABC. Com isso, as influências ideológicas dos meios de comunicação se equilibram dentro da sociedade espanhola, pois os órgãos de imprensa progressistas têm o mesmo alcance que os conservadores.

Essa diversidade nos principais meios de comunicação de um país é a base de qualquer Democracia, pois a sociedade forma sua opinião através de diferentes pontos de vistas e enfoques.

Por outro lado, o modelo de mídia concentrada cria uma opinião pública baseada em um discurso único, que favorece, obviamente, uma única ideologia.

Nesse sentido, Dilma pretende dar um passo que fortalece a Democracia do Brasil, ao invés de reduzi-la. Enquanto Aécio, como bom conservador, prefere manter o padrão atual que favorece o ditatorial discurso único na mídia.

Como dito antes, os princípios democráticos estão baseados na diversidade cultural, na pluralidade de ideias e opiniões, na representatividade de todos coletivos sociais e na mescla de ideologias e de enfoques na imprensa.

Quem lute por esses valores fortalecerá a Democracia. Quem lute contra, favorecerá a "Ditadura" baseada na imposição de uma ideologia à sociedade.

Assim sendo, dia 26 o país escolherá se prefere uma mídia plural ou uma oligopolista, pois a vitória de Dilma ou Aécio determinará a consolidação de um dos projetos midiáticos que pretende transformar o país através de uma ou outra ideologia que disputa o poder.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A “espetacularização” dos debates na televisão


Dilma Rousseff e Aécio Neves no debate da Rede Bandeirantes

O debate de ontem (14/10) realizado na Rede Bandeirantes foi marcado por um enfrentamento duro de dois candidatos que não se olharam nos olhos, mas atacaram e foram atacados mutuamente. A postura dos dois era digna de horário eleitoral, onde o discurso de um candidato carece de contextualização e só destaca as informações que fazem bem ao partido.

Sobrou “espetacularização da política”; faltou conteúdo, conhecimento e, no fundo, respeito com os cidadãos.

Aécio chamou Dilma de leviana depois que ela citou o Aeroporto construído em terras de seu tio, por exemplo. No entanto, quem realmente foi “leviano” foi o próprio debate de ontem! Pouco refletivo, imprudente e leve – definições de “leviano” no Dicionário Aurélio. As meias-verdades partidaristas dominaram o tempo dos candidatos e ajudaram a propagar muitas das mentiras que literalmente dominam as redes e as mentes dos eleitores nesse segundo turno.

As propostas e ideias ficaram em segundo plano; enquanto as notícias que saíram eram maioritariamente sobre os ataques realizados. Essa superficialidade gera muita audiência para a Bandeirantes – que foi líder durante da 1h30m que durou o debate -, mas não ajuda objetivamente o eleitor a escolher seu candidato.

Acontece que essa característica leviana é típica do formato da televisão brasileira, que sempre privilegiou o entretenimento e os lucros, deixando de lado a informação imparcial de interesse público e a educação – que são mais importantes em países europeus, por exemplo. Essa prioridade focada no financeiro cria coberturas políticas superficiais com destaques para corrupção e acusações bombásticas, além de telejornais baseados no entretenimento e na espetacularização da notícia através de imagens impactantes e conteúdos superficiais.

Desse foco nos lucros e nos votos surge a ”necessidade” de encontrar um vencedor dos debates televisivos – entre aspas, porque essa necessidade, no fundo, não existe. Os políticos viram atores que interpretam um papel; uma imagem moldada pelas estratégias do marketing político. Quem fizer melhor interpretação – ou seja, quem atacar melhor, transmitir segurança, confiança, caridade, força e firmeza – supostamente ganhará o debate.

Logicamente as preferências partidárias e ideológicas das pessoas condicionam os julgamentos. E essa característica subjetiva acaba com o sentido de escolher um vencedor, pois a maioria das vezes não existe um consenso que permita o julgamento objetivo.

Enfim, a postura dos candidatos espetacularizou o debate. Sendo o PT e o PSDB dois partidos eleitoralmente massificados, os cuidados para evitar deslizes são enormes. Com isso, falta espaço para propostas e sugestões, pois a introdução de uma proposta à essa altura abre campo para mais ataques do rival. 

É um círculo vicioso em que os candidatos atacam para não dizer propostas - e não dizem propostas para atacar.

Quem agradece um debate recheado de polêmica é a Bandeirantes e os jornais: tem material suficiente para chamar atenção do público.

O palco passa a ser visto como um ringue de batalha de onde surgem polêmicas a cada instante, temas que aparecem instantaneamente na imprensa e na Internet, onde as discussões políticas correm soltas. Essa possibilidade de debate nas redes sociais é um espaço para discutir ideologias e visões do mundo, mas é mal utilizada quando os próprios cidadãos incorporam os discursos ofensivo dos candidatos a seu próprio discurso e acabam limitados ao que diz o marketing político.

Por outro lado, através da exploração extrema de detalhes frívolos e espetaculares como os ataques e as meias-verdades de cada candidato, a mídia consegue ascender as polêmicas com frequência, dando mais repercussão aos seus conteúdos e conseguindo audiência, publicidade e, consequentemente, lucros.

Por isso os destaques dos debates normalmente são declarações polêmicas, ao invés de planos de Governo ou contextualizações. Trata-se de uma estratégia dos políticos, da televisão e da própria mídia no geral. É tudo por dinheiro e votos.

Ontem, Aécio usou todas suas perguntas para atacar Dilma; enquanto a petista usou a maioria das suas para comparar seu governo com o de FHC, que inspira o projeto de Aécio. É questão de estratégia para conseguir o voto de um público com conhecimento político limitado pela própria cobertura frívola da televisão e de outros canais de mídia.

Sem dúvida o telespectador pôde tirar suas próprias conclusões e os eleitores de um ou de outro candidato tem mais argumentos para atacar o rival. Mas essa postura dos debates televisivos contribui para o limitado conhecimento político dos cidadãos e não motiva um maior entendimento de temas complexos que são necessários para a inclusão política da sociedade.

Atacando e dizendo que “eu sou melhor e você mente”, os candidatos conseguem convencer seus apoiadores – que podem virar cegos e fiéis, ou seja, tudo que qualquer político deseja -, mas também incentivam o desinteresse da sociedade pela política, pois a mesma continua acreditando que esse tema só é formado por corrupção, debates, eleições e ataques entre partidos.

Ora, a política é muito mais complexa que qualquer debate televisivo. Assim como os fatos são muito mais heterogêneos do que as notícias televisivas mostram.

Claro que a “telinha” permite a transmissão de reportagens profundas e de documentários muito bem contextualizados que de fato aumentam o conhecimento do telespectador.

Mas, como dito antes, a televisão é movida pelos lucros; e para lucrar é preciso audiência; então o formato televisivo naturalmente aponta para uma direção em que intenção de informar o cidadão fica na geladeira, enquanto a prioridade de qualquer rede de televisão do Brasil vira a busca de audiência, de publicidade e de uma audiência que compre os produtos da publicidade.


Para a TV, portanto, quanto mais espetaculares sejam os debates, melhor. 

O debate de quinta-feira no SBT não será diferente.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Adeus imparcialidade: mídia também faz campanha nas eleições

Meios de comunicação progressistas à esquerda; conservadores à direita


Os últimos números do Ibope e do Datafolha mostram um país dividido. O empate técnico anunciado nos números criou uma situação política em que tudo pode acontecer. O clima é de vale tudo na política nacional.

A imprensa entrou na campanha faz tempo. Mas suas publicações nunca foram tão partidarizadas como agora.

O cidadão pode esquecer o jornalismo imparcial até dia 26, pelo menos, data da celebração do segundo turno.

Até lá, a ideia é deixar de lado a ética e a formação de opinião pública desinteressada para dar lugar ao puro discurso panfletário em jornais, rádios, televisões e revistas do país. As peças foram selecionadas e o poder está em jogo.

A imprensa brasileira está tão polarizada quanto a sociedade.

A Grande Mídia – Globo, Estadão, Veja e Folha – embarcou na campanha mais agressiva das últimas décadas.

Por outro lado, a Imprensa Progressista, que nunca escondeu sua preferência política, defende o PT dos ataques midiáticos e faz o possível para difundir o contra-ponto das informações diariamente difundidas na Grande Imprensa.

Os progressistas destacam as conquistas do PT nos últimos anos e deixam claro que Aécio pode por “tudo a perder” caso seja eleito. Supondo que Aécio acabará com as conquistas progressistas do país, a intenção é criminalizar os grupos conservadores da sociedade para difundir um “discurso do medo” que traria resultados positivos para a campanha petista ao mostrar o lado negativo das pautas dos tucanos.

Dessa forma, a oferta informação nacional chega num equilíbrio que corresponde com a polarização da sociedade: cada meio de comunicação defende um dos projetos de governo que disputam a presidência – o neoliberal conservador ou o desenvolvimentista progressista.

Por outro lado, a Grande Mídia joga de forma oculta, como de costume. Somente o Estadão declarou, em editorial, seu apoio ao PSDB. Mas conglomerados como as Organizações Globo ignoram o apartidarismo – que, está declarado em sua Seção I, letra “i” - para conseguir mais votos aos tucanos.

Através de uma retórica imperceptível para os desatentos, os principais jornais do país questionam insistentemente a conduta petista e enfatizam seus escândalos de corrupção enquanto desconstroem a campanha do mesmo – a Folha, por exemplo, vem informando como e onde o partido atacará o rival para defender os tucanos das investidas.

Os grandes meios de comunicação também recebem informações privilegiadas que são muito bem aproveitadas em sua cobertura diária.

Não é a primeira vez que a campanha da imprensa conservadora se nutre dessas informações vazadas por atores políticos interessados e desconhecidos, por enquanto – o depoimento de Paulo Roberto Costa, delator do escândalo da Petrobrás, à Justiça Federal de Curitiba foi realizado na quarta-feira (08/10) e na quinta (09/10) as informações do mesmo já estavam na capa de grandes jornais.

Alguém "de dentro" facilitou essas informações aos jornais.

Essa prática não é completamente condenável. Grandes escândalos de corrupção foram desvendados com infiltrações desse tipo.

Porém, essa conduta da imprensa oferece dois problemas: as denúncias não foram averiguadas nem julgadas, mas são publicadas com tanto destaque que tem efeitos políticos similares à prisão de alguém da alta cúpula do partido.

Além disso, o leitor que acredita na neutralidade dessa imprensa não imagina que a mesma esconde os escândalos tucanos para destacar somente os petistas. O falso apartidarismo engana a sociedade no geral.

Enfim, nessa campanha, ambos os setores da imprensa se opõem como evolucionistas e religiosos discutindo a origem do ser humano. Defendem com unhas e dentes o projeto que acreditam ser melhor para o Brasil e farão o possível para levar o candidato que representa esse modelo ao Palácio do Planalto.

A derrota nas urnas significa perda de poder econômico e político de um dos setores da imprensa.

Nesse sentido, a Imprensa Progressista tem mais a perder que a Grande Imprensa.

Apesar dos governos petistas terem ampliado a quantidade de meios de comunicação que recebem publicidade governamental – medida que oferece mais renda para os jornais menores - os conglomerados de mídia continuam recebendo milhões a mais que qualquer outro jornal progressista.

O oligopólio da imprensa só teme uma possível – e improvável – democratização econômica da mídia, que limitaria suas propriedades cruzadas. Além, claro, da fragilidade que o Governo Dilma oferece às suas relações políticas e comerciais com os americanos.

Porém, a Grande Imprensa continuará existindo como hoje independente de quem esteja no poder.

O mesmo não pode ser dito aos meios de comunicação progressistas.

Aécio Neves é reconhecido por sua tendência de calar jornalistas – os mineiros sabem bem disso – e provavelmente vai suprimir a publicidade governamental dirigida à jornais que se opõem às suas ideias.

Para o jornalismo regional e o progressista, isso é uma tragédia. Muitos meios de comunicação fechariam e, com isso, a oferta de informação plural, que é direito do cidadão,seria diminuída e reduzida, ampliando o poder de influência dos grandes jornais do país.

Menos pluralidade nos meios de comunicação significa menos diversidade de opiniões e, consequentemente, menos estabilidade na Democracia.

Portanto, a imprensa progressista tem muito mais a perder que a Grande Imprensa.

E o PT perde junto com seus apoiadores.

A volta do panorama midiático dos anos 90 tiraria voz e poder de influência da esquerda. 

Não ter oposição da mídia progressista é o cenário que todo conservador deseja para se perpetuar no poder.

O aumento de conservadores no Congresso nacional já favorece a aplicação de medidas direitistas no Brasil. Livrar-se da imprensa progressista é tudo que eles precisam para ter aplicar suas pautas na sociedade brasileira.

Assim sendo, a vitória de Aécio nas eleições do dia 26 seria a cereja do bolo do poder da direita: a esquerda estaria condenada a perder grande parte da influência que conseguiu nas últimas décadas e o país entraria na etapa mais conservadora do século XXI.