Foco na Mídia

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Reacionários atacam jornalistas por não entender a imprensa

Foto da manifestação. Segundo a PM cerca de 2,5 mil pessoas estiveram presentes.

Os repórteres Gustavo Uribe, da Folha de S. Paulo, e Ricardo Chapola, do Estadão, cobriram a manifestação do último sábado (01/10) contra a reeleição de Dilma Rousseff e hoje sofrem ameaças nas redes sociais pelos enfoques de suas matérias – clique aqui para ver a matéria da Folha, e aqui para ver a do Estadão.

A Abraji – Associação brasileira de jornalismo Investigativo - e o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo – SJSP - emitiram notas de repúdio às ameaças, segundo o diário Folha de S. Paulo.

Os repórteres tiveram seus perfis de redes sociais expostos em blogs e desde então são perseguidos nas redes sociais.

As duas publicações destacam os pedidos de intervenção militar de alguns manifestantes, o que, segundo participantes declararam em redes sociais, foi feito por uma minoria que não merecia atenção.

Ao destacar os pedidos de intervenção militar e da volta da Ditadura, os repórteres criminalizaram o protesto, na visão dos manifestantes presentes.

Segundo diversos comentários nas redes sociais, a Folha de S. Paulo e o Estadão são petistas ou comunistas e pretendem deslegitimar os pedidos feitos na manifestação do sábado.

Esse pensamento também apareceu em um post do blogueiro da revista Veja, Rodrigo Constantino, que falou sobre o comportamento da imprensa, acusando-a de possuir um “viés esquerdista”.

Análise:

A direita, que sempre condenou manifestações de esquerda, sentiu na pele o que os progressistas sofrem desde que começaram a fazer protestos.

A mídia só destaca manifestações progressistas que são massivas ou que acabam em confronto. Atos de esquerda que atraem 2 ou 3 mil pessoas  - número presente no ato de sábado - não costumam ganhar muita atenção da Grande Imprensa.

Acontece que o jornalismo tende a buscar o foco “sensacional” dos fatos com o objetivo de ampliar o interesse do leitor e, dessa forma, atrair mais audiência.

Portanto, a mídia destaca o inesperado, o surpreendente e o que chama a atenção do leitor.

Assim sendo, a atenção costuma estar direcionada a fatos negativos.

Nos atos de esquerda costumam ser os famosos “vândalos” que a direita sempre desqualifica; enquanto o destaque dos protestos reacionários são os pedidos de intervenção militar.

Em ambos os casos, o critério da mídia é o mesmo e o objetivo também.

Essa postura atrapalha a função de publicar as exigências manifestadas nos atos e ainda contribui com a criminalização dos movimentos sociais.

Ou seja, a busca por audiência limita a qualidade do relato, que adquire aspectos subjetivos, e passa a ideia de que as manifestações de esquerda são feitas por vândalos e pessoas desocupadas, enquanto as de direita contam com a presença exclusiva de “viúvas da Ditadura”.

Ora, a realidade é muito mais complexa que definições limitadas.

Privilegiando fatos sensacionais, a imprensa deixa de lado o foco principal da manifestação e destaca um ponto de vista que não necessariamente corresponde com as exigências gerais dos manifestantes.

É algo que acontece principalmente na televisão, mas que também ocorre na imprensa escrita, como nesse caso.

O foco principal da manifestação do sábado é o pedido de Impeachment e de recontagem dos votos.

Os pedidos de intervenção militar são reais, mas minoritários, como bem sabem os manifestantes reacionários. Mas por, serem fatos sensacionais, apareceram nos textos dos dois repórteres presentes no ato.

Por coincidência ou não, ambos entrevistaram a mesma pessoa: Sérgio Salgi, investigador da Política que carregava um cartaz escrito “SOS Forças Armadas”.

O cartaz diz explicitamente que esse manifestante deseja a volta da Ditadura. Como foi tratado nas duas matérias – de Folha e Estadão – é possível concluir que um dos objetivos da imprensa é somente destacar aquilo que chama a atenção.

Essa pessoa é tão impactante quanto um manifestante de esquerda ou anarquista que quebra patrimônio público durante uma manifestação, por isso ganha destaque.

A mídia dá atenção porque o fato impressiona inclusive os jornalistas.

Esses acontecimentos possuem significados intrínsecos e, na hora da comunicação midiática, caracterizam todo movimento.

É uma consequência direta do enfoque e do objetivo da mídia corporativa; algo corriqueiro.

Porém, como o público presente na Av. Paulista está acostumado a julgar, ao invés de ser julgado, acaba indignado com os critérios e objetivos da mídia que a mídia na seleção dos fatos.

A esquerda também se revolta, mas sabe que essa é uma postura normal da imprensa.

A direita não.

Ela quer vingança por achar que está sendo traída pelos “petralhas” e “comunistas” da mídia que, na verdade, por história e tradição, têm ideologia similar à deles.

É então que esses cidadãos atacam jornalistas, motivados pelo radical e apaixonado clima da campanha eleitoral.

Em seu orgulho ferido, esquecem, porém, que ao perseguir jornalistas, atentam justamente contra a liberdade de expressão que necessitam para saírem sair às ruas e para pedir o Impeachment de uma presidenta eleita democraticamente duas semanas atrás.

São detalhes da Democracia que os reacionários exigem para si, mas limitam para os demais

Uma característica do conservadorismo brasileiro, sempre arraigado no egocentrismo e na ideia de superioridade que ainda atrapalha e limita os direitos e liberdades civis de muitos coletivos sociais e cidadãos.

domingo, 26 de outubro de 2014

Democratização da Mídia, passo importante para o Governo Dilma

Foto: Rafael Stedile

A esquerda quase viveu a maior derrota do século XXI nas eleições desse ano.

O conservadorismo do Congresso recém-eleito cria um cenário que evita o avanço de políticas progressistas, mas a vontade de mudança da população é real e deve ser traduzida em mais Democracia e mais progresso para não cair na mesmisse dos últimos quatro anos.

O discurso da vitória de Dilma Rousseff deixou claro que a Reforma Política é necessária. Porem, outras medidas também são essenciais para uma melhora da Democracia e do conhecimento político da sociedade.

É então que aparecem os gritos de “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” no público que escutava o discurso da vitória da presidenta reeleita.

A sociedade demanda avanço, mas o conservadorismo dos meios de comunicação chega diariamente às mentes dos cidadãos e funciona como uma gaiola, pois os conglomerados de imprensa tem uma postura natural de formar a opinião da sociedade através de similares valores, interesses e ideologias.

Com isso, temos uma população que exige avanço sendo informada em grande medida por jornalistas conservadores que evitam esse progresso à toda custa.

A esquerda sempre teve o costume de “assustar” os donos da mídia com medidas ousadas.

Esse panorama explica o desespero dos grandes jornais nessa reta final de eleição. A situação não irá mudar naturalmente.

É por isso que o avanço terá que ser “Imposto” pela própria sociedade. E um dos caminhos que conduz ao avanço é a regularização do setor da mídia, poder fundamental de qualquer Democracia do planeta.

O oligopólio midiático promove um discurso ditatorial e muitos políticos ainda são donos de meios de comunicação.

Essa característica da mídia brasileira troca o avanço democrático do país por interesses privados dirigidos à busca por lucro e influência.

A Constituição Federal proíbe a prática de oligopólio em seu artigo 220, parágrafo 5, mas a influência dos donos dos conglomerados é tão grande que conseguem contradizer a própria Carta Magna da República Federativa do Brasil sem sofrer nenhum tipo de represália.

Por outro lado, diversos políticos são favorecidos e eleitos constantemente graças às coberturas informativas de seus próprios jornais, revistas, rádios e televisões em um círculo vicioso que engana o povo com o quarto poder, justamente aquele que deveria esclarecer e evitar o abuso em um Estado de Direito.

Assim sendo, a Regularização Econômica da Mídia, medida defendida por Dilma durante a campanha, e a proibição do controle de meios de comunicação por parte de pessoas que exercem cargos políticos são medidas extremamente necessárias para o avanço democrático, político e social do país.

Uma lei que limite o tamanho dos conglomerados de imprensa dará espaço a outras vozes e outras ideologias que hoje ficam em segundo plano simplesmente por não ter condições econômicas e políticas de competir com gigantescos conglomerados.

Com isso, o sistema favorece quem tem poder, enquanto exclui quem se opõe de alguma forma. Esse panorama de desigualdade influi muito na percepção que as pessoas têm da realidade.

A Internet obviamente quebrou a hegemonia da Grande Imprensa em certa medida, mas a campanha eleitoral ferrenha e partidarista dos grandes meios de comunicação do país é prova de que o Brasil precisa democratizar sua mídia para melhorar a representatividade da população.

Caso contrário continuará pagando o preço de ter grande parte da opinião pública controlada por cinco famílias.

E esse preço é alto, como o PT sentiu na pele nos últimos anos - e especialmente nos últimos dias, com Veja, Globo e Estadão atuando no "tudo ou nada".

O PT ganhou e promete cumprir com as expectativas de mudança da população. No entanto, uma sociedade informada pelo discurso único nem sabe direito o que pretende, pois confunde seus próprios interesses com os que a imprensa aponta.

Um equilíbrio de ideologia e de representatividade nos meios de comunicação solucionaria essa situação problemática.

Mas somente uma medida ousada pode realmente quebrar esse panorama consolidado durante a história do Brasil.

O país exige avanço e o mesmo deve ser encontrado através de mais Democracia e da busca por mais representatividade.

Mas para isso é extremamente necessário encarar temas “cabeludos” na área da comunicação, pois o panorama atual protege a si mesmo e provém diretamente da Ditadura, período que criou grande parte dos problemas sociais, políticos e econômicos do Brasil.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

As técnicas de manipulação da última capa da Veja

Capa da revista Veja divulgada ontem (23/10)

A estratégia da Grande Imprensa para repercutir acusações dignas de mesa de bar é conhecida.

A Veja publica uma “denúncia” - baseada no disse-que-me-disse e os diversos jornais da Grande Imprensa dão eco às informações usando como fonte... a própria Veja.

Até esse ponto não há grandes problemas, pois alguns casos reais de corrupção podem e já foram desvendados nesse sistema.

Mas a falta de ética com o jornalismo é uma realidade da revista e as intenções partidárias da mesma é latente há muito tempo.

A manipulação é algo quase natural na comunicação midiática, pois o fator humano normalmente limita a capacidade de neutralizar as informações a ponto de atingir a tão sonhada objetividade total.

Assim sendo, a mídia no geral mostra a realidade como um espelho quebrado: a imagem é similar, mas não passa de uma réplica, uma apresentação artificial da realidade, que pode ou não corresponder com os fatos reais. Dependendo da qualidade e das intenções do jornalista, o espelho estará mais ou menos quebrado.

Sendo assim, é possível atingir a neutralidade total através do esforço e da pura vontade de informar sem pretender induzir o leitor a acreditar em algo.

Mas a revista Veja perdeu essa intenção há muito tempo.

A manipulação hoje é algo normal nas revistas semanais do Brasil – publicações como Época, Carta Capital e a própria Veja apresentam um alto grau de partidarismo, que de uma forma ou de outra induz o leitor a acreditar no ponto de vista da publicação.

Às vezes essa manipulação acontece involuntariamente, devido à falta de experiência ou de entendimento dos efeitos da comunicação realizada – que é o caso, por exemplo, da Sheherazade e o menino do poste, pois a jornalista não entende até hoje como suas palavras possam ter incentivado a violência.

Porém, o que a Veja fez na capa publicada ontem (23/10) superou o partidarismo e chegou ao nível de manipulação descarada e especialmente dirigida à induzir o leitor a acreditar em um determinado ponto de vista através de técnicas jornalísticas que fogem absolutamente da mínima isenção exigida aos meios de comunicação.

A capa, que induz o leitor a acreditar que “Lula e Dilma sabiam de tudo”, oculta fatos, distorce a realidade através da seleção descontextualizada de informações, dá extrema relevância a versões não confirmadas, destaca a opinião frente à informação e privilegia a apresentação estética dos fatos, deixando o conteúdo em segundo plano.

Os resultados dessas técnicas de manipulação são desastrosos na mente de quem concede à Veja um mínimo de credibilidade.

A forma básica de manipulação da revista, que é a mistura entre informação e opinião, naturalmente induz o leitor a acreditar nos juízos de valor dos jornalistas da Editora Abril.

Ou seja, quando a revista mistura a opinião dos jornalistas com os fatos objetivos da realidade, os leitores se confundem e incorporam a visão do mundo, a ideologia e a versão dos profissionais da comunicação ao seu próprio entendimento da realidade. Com isso, os leitores viram meros bonecos nas mãos dos jornalistas, pois os juízos de valor da revista ganha mais importância que a realidade.

A revista semanal também utiliza outras técnicas de manipulação para fazer os leitores acreditarem no que ela quer – e ela sempre espera que as pessoas vejam o mundo com seu tradicional ponto de vista neoconservador que se opõe a qualquer referência progressista.

A descontextualização dos fatos é uma técnica básica para qualquer tipo de manipulação.

Quando a Veja apresenta certos detalhes dos fatos sem mostrar o contexto geral, que inclui, por exemplo, o suposto envolvimento não confirmado de tucanos – como Sergio Guerra – no escândalo de corrupção que foi batizado de Petrolão, o leitor acredita equivocadamente que somente o PT e outros partidos participaram das práticas corruptas da Petrobrás, visão que não corresponde com a realidade.

Dessa forma os leitores são literalmente enganados; levados a acreditar em um ponto de vista que corresponde somente com os interesses mesquinhos e egoístas de uma das maiores revistas da América Latina.

E tem mais.

Quando a revista dá extrema relevância a fatos não confirmados – como a acusação de que Lula e Dilma “sabiam de tudo” -, o leitor que acredita nessas palavras macabras é induzido a incorporar mentiras ou versões fantasiosas da realidade.

Com isso, o que ele recebe é discurso panfletário que distorce sua opinião; nada diferente do que aparece nos mentirosos e parciais horários eleitorais gratuitos. E essa apresentação dos fatos não é jornalismo, mas sim pura descontrução de imagem, algo feito por políticos para afetar adversários. 

Para completar, na falta de conteúdo fundamentado que prove as acusações publicadas, a revista Veja dá destaque à apresentação estética das informações colocando uma capa extremamente subjetiva e emocional que motiva o leitor a esquecer a razão e o bom-senso para simplesmente acreditar cegamente no que os jornalistas querem.

Em outras palavras, ao apresentar as informações com uma chamada na capa em que Lula e Dilma aparecem com cara feia em um cenário negro e sombrio, a Veja minimiza o conteúdo – que não passa de uma acusação simples e não confirmada - e consegue a confiança do leitor através da emoção pura.

Dessa forma, os jornalistas da Editora Abril conseguem formar uma seita, uma legião de leitores raivosos que não pensam, só reproduzem as palavras rancorosas e mal-intencionadas da revista.

A manipulação se completa quando a verdade aparece e é apresentada timidamente pelos principais meios de comunicação do país.

Nessa altura o estrago já está feito e poucos têm interesse em revertê-lo.

Acontece que, para esses meios de comunicação, a verdade não cria os efeitos políticos da mentira. E, como uma mentira dita muitas vezes vira verdade, principalmente quando a primeira ganha mais destaque e atenção que a segunda, a realidade fica em segundo plano e o que aparece é uma visão distorcida e manipuladora.

É por essas e outras que a revista Veja hoje representa o fim da ética no jornalismo

Não há vontade de melhorar o debate democrático.

Não há nenhuma intenção de esclarecer o leitor.

Não há nada positivo.

Esse esclarecimento dos cidadãos limita a capacidade de manipulação da revista Veja.

E sem essa manipulação, sem mentiras e sem técnicas jornalísticas de lavagem cerebral, a revista não pode realizar seu trabalho informativo-emocional-irracional de uma forma que induza o leitor a fazer exatamente aquilo que ela quer.

Sem dúvida a revista ultrapassou todos os limites com essa capa que demonstra claramente suas verdadeiras intenções.

A revista quer Aécio no poder, e, no desespero causado pelos maus resultados das pesquisas, aceitou usar diversas técnicas de manipulação para favorecer a candidatura do tucano. Iria até o inferno se fosse preciso.

O chilique da revista é tão desesperado, que logo depois da publicação da capa na Internet, Reinaldo Azevedo gravou um vídeo para a JovemPan dizendo que a capa da Veja é motivo suficiente para realizar um Impeachment na Dilma, caso ela seja reeleita.

Dilma, por outro lado, denunciou às más-intenções da Revista Veja em um vídeo gravado hoje e afirmou: “darei minha resposta à eles na Justiça”.

Com a Internet, pouco a pouco a revista vai perder credibilidade, pois a mentira tem perna curta na rede.

E para os cidadãos esclarecidos, é melhor ter dó que raiva dessas pessoas. A dó provém da compaixão e permite o esclarecimento daqueles que ainda dão credibilidade a uma revista extremamente anti-ética. Enquanto a raiva só faz mal a quem a sente e atrapalha o trabalho de reeducação dos cidadãos manipulados.

Os neoconservadores da Editora Abril merecem ser denunciados, desmascarados, punidos e posteriormente deixados de lado por todos, pois o que fizeram agora não é digno de compreensão, nem de aceitação.

É puro terrorismo midiático e deve ser desmascarado para não fazer mais estrago do que já fez durante toda sua existência.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cenário midiático favorece Dilma e atrapalha Aécio na reta final


A agenda midiática mudou completamente desde semana passada e agora ajuda a candidatura de Dilma Rousseff.

O envolvimento de tucanos no escândalo da Petrobrás, o agravamento da crise hídrica de São Paulo e uma entrevista do jovem Aécio, feita em 1977 nos Estados Unidos, supõem um aumento de armas políticas do PT e uma diminuição das ofensivas tucanas.

Com isso, Dilma tem um cenário favorável para sua reeleição no domingo, situação que se confirma com a pesquisa Datafolha de anteontem (20/10) - nela, a petista está quatro pontos na frente de Aécio, 52% contra 48%, em um cenário de empate técnico pela margem de erro.

A aparição do nome de Sérgio Guerra - ex-presidente do PSDB falecido em março - entre as delações de Paulo Roberto Costa e as acusações - não comprovadas - do auxiliar do doleiro Alberto Youssef de que existem outros tucanos envolvidos no pagamento de propinas do esquema limitaram o uso político que o PSDB pode fazer do caso de corrupção da estatal.

Por isso, com exceção da Folha, que colocou o envolvimento de Sergio Guerra em sua manchete principal da sexta-feira (17/10), os jornais da Grande Imprensa evitaram colocar o assunto nas capas, pois o caso já foi explorado ao máximo pelos tucanos.

Mas pelo PT não. E o partido ainda vai usar o tema para se defender.

A estratégia do partido é provar que a corrupção não é exclusividade dos petistas. Portanto, as notícias que mostram tucanos envolvidos no escândalo da Petrobrás são um presente para quem argumenta a favor de Dilma.

Outra questão que favorece Dilma é a falta de água em São Paulo, que agora sim é um “baque” para a campanha tucana.

O agravamento da crise e a real exposição da seriedade do caso nos principais jornais do país, que começaram a tratar o tema com mais profundidade depois da reeleição de Alckimin, mostraram ao público que o problema é mais sério do que parecia.

A Sabesp já tem prejuízos de mais de 1 bilhão por causa do bônus oferecido a quem economiza e, mesmo com a permissão da Agência Nacional de Águas para usar o segundo volume morto, o fim do estoque pode acontecer em novembro, dependendo dos resultados dessa nova medida preventiva – se não fosse a utilização do primeiro volume morto, o Sistema Cantareira estaria com uma capacidade negativa em 14%, mas hoje a disposição de água do sistema está na casa de 3% de sua capacidade.

Essa situação de crise já foi - e continua sendo - usada por Dilma Rousseff em sua campanha e, pelo visto, a crise em São Paulo está afetando a campanha de Aécio.

O PT e a imprensa progressista enfatizam o problema dizendo que esse é o “modo tucano de governar”, o que atinge o candidato à Presidência e seu tradicional modelo neoliberal de gerir o Estado.

Assim sendo, o agravamento da crise da água abriu um campo de ataque com profundos potenciais políticos, pois o recurso em falta no caso é básico para a vida de qualquer ser humano na Terra.

Quando uma pessoa não recebe o fornecimento de um recurso básico para a vida, tende a se indignar. Com esse sentimento, o cidadão exige um culpado. E como São Pedro não é uma pessoa física, a culpa no geral recai em Alckimin – apesar dos tucanos fanáticos continuarem isentando o Governador.

Ou seja, o PSDB cedo ou tarde vai sentir os efeitos políticos da séria crise que afeta São Paulo. 

E para o PT é melhor que eles sintam esses efeitos agora.

Para complementar o azar dos tucanos, o jornalista Paulo Moreira Leite encontrou uma polêmica entrevista de Aécio Neves concedida em 1977 a um pequeno jornal norte-americano. O candidato tinha 17 anos na época e visitava uns amigos que faziam intercâmbio.

Nas declarações publicadas, Aécio afirma que “todos no Rio têm uma ou duas empregadas, uma para cozinhar e outra para limpar”.

Também declarou: “nunca fiz minha própria cama”; além de dizer que “a maioria das mulheres (do Brasil) não trabalha porque financeiramente não precisam, [...], então passam a maior parte do tempo na praia ou passeando em diferentes shoppings”.

Essas palavras provavelmente não ganharão repercussão na Grande Mídia, mas na Internet e no Facebook, onde a campanha corre solta, as palavras de Aécio são avassaladoras para sua candidatura, pois comprovam uma das teorias que os petistas usam para desconstruir sua imagem: a de que Aécio é um “menino mimado” que não entende o mundo.

Como dar a presidência a uma pessoa que nunca passou dificuldade na vida? É essa pergunta que o PT pretende destacar para evitar a ascensão do tucano.

Enfim, analisando o panorama geral em que a corrupção da Petrobrás não tem a força política de antes, a crise da água começa a aparecer de verdade e Dilma ultrapassa Aécio nas pesquisas enfatizando os problemas pessoais do ex-governador de Minas Gerais, o jogo está a favor do PT nessa reta final - a não ser que aconteça algo que mude completamente a situação.

Nada está decidido, pois ainda falta o debate da Rede Globo da próxima sexta-feira (24/10), que pode ser chave para a decisão dos eleitores indecisos.


Mas Aécio foi parcialmente desarmado enquanto Dilma recebeu um pacote novinho de material bélico/político para atacar o tucano. E essa mudança no cenário terá um importante peso no final da guerra do segundo turno.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dilma incentiva pluralidade da mídia; Aécio favorece o oligopólio



Os modelos de Dilma e Aécio, que disputam a presidência dia 26, têm formas muito diferentes de gerir a educação, saúde, economia, etc.

A relação com a mídia é outro dos muitos contrastes existentes entre os candidatos.

Essa diferença será mais nítida no futuro, quando um deles assumir o Palácio do Planalto, mas, pelo que vêm falando nos últimos meses e durante a campanha, já é possível determinar como cada um tratará a imprensa em um eventual mandato.

Primeiramente, um novo governo de Dilma manteria as políticas atuais de distribuição de publicidade governamental. O Governo é sempre um dos maiores anunciantes do país e essa veiculação de publicidade de programas e avisos supõe mais recursos para os meios de comunicação do Brasil, assim como qualquer anúncio de empresas privadas.

A gestora dessa publicidade oficial é a Secom, Secretaria de Comunicação Social, que atualmente atua segundo a política de levar os anúncios ao maior número de pessoas possível.

Assim sendo, a publicidade oficial do Estado é majoritariamente dirigida aos grandes conglomerados de mídia do país – ou seja, a Grande Imprensa -, que possui maior audiência entre os meios de comunicação brasileiros.

Porém, desde o primeiro Governo Lula, os gastos com publicidade governamental aumentaram, - os dados estão disponíveis aqui - junto com o número de beneficiados, para favorecer meios de comunicação de pequeno e médio porte, que não recebiam grandes incentivos antes de 2003.

Com essa nova política distributiva, veículos de comunicação regionais, digitais e alternativos passaram a receber mais recursos do governo, enquanto os recursos dirigidos à Grande Mídia foram levemente reduzidos.

A intenção é tímida, mas incentiva a diversidade dos meios de comunicação do Brasil, ampliando a pluralidade ideológica e de representação dos jornais, rádios, revistas, etc.

Essa postura provavelmente não seria seguida por Aécio.

A Grande Imprensa conservadora, que apoia os tucanos desde sempre, se sentiu desfavorecida com a maior divisão de gastos públicos com publicidade oficial.

Os conglomerados de imprensa perderam uma parte dos recursos que recebiam e viram seu oponente ideológico – a imprensa progressista, que faz parte da mídia alternativa e inclusive revela escândalos da Grande Imprensa – ser ajudada pelo Governo do PT.  

Como Aécio e Grande Imprensa têm relações estreitas, um eventual governo do tucano iria ceder à influência dos grandes jornais limitando a oferta de publicidade oficial às grandes empresas de comunicação do país.

Isso significa ainda mais recursos para Globo, Folha, Estadão e Abril, e menos ainda para blogs e órgãos de imprensa progressistas como Carta Capital, Brasil 247, Revista Fórum e Jornal GGN. Além, claro, da redução de publicidade dirigida a jornais e revistas regionais, que cobrem os fatos cotidianos de pequenas áreas do país.

É interessante lembrar que, da mesma forma que a Grande Imprensa pressiona os tucanos para receber mais publicidade oficial, a imprensa alternativa pressiona o PT para limitar os recursos dirigidos aos conglomerados de imprensa.

O argumento que sustenta essa postura é o de que a Grande Mídia, que construiu seu “império” durante o regime ditatorial, já possui lucros que provém de suas propriedades cruzadas - das diversas rádios, televisões, jornais, revistas, canais de TV a cabo, editoras, institutos de pesquisa, etc.

Por outro lado, os meios de comunicação alternativos e regionais são exclusivamente bancados pela publicidade que recebem. É um desequilíbrio que surgiu na Ditadura e se mantém até hoje, quase 30 anos depois da abertura democrática.

Com isso, o corte de publicidade oficial dirigida aos pequenos meios de comunicação do país cria problemas para os mesmos. Muitos fechariam por falta de recursos e outros, mais fortes, continuariam de forma absolutamente independente ao Governo.

A oferta de diversidade ideológica seria reduzida junto com a quantidade de meios de comunicação. E, como a Democracia é baseada na pluralidade, diversidade e direito de representação de todos coletivos da sociedade, a diminuição da oferta de meios de comunicação teria um efeito negativo para a democrática formação da opinião pública.

Portanto, o oligopólio no setor da imprensa, que possui uma única ideologia e visão do mundo, seria fortalecido em um eventual governo de Aécio.

Buscando evitar um panorama em que grandes conglomerados de mídia dominem a comunicação do país, a Constituição Federal proíbe a formação de monopólio ou oligopólio na imprensa em seu artigo 220, § 5º – “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objetivo de monopólio ou oligopólio”.

O artigo, porém, nunca foi regulamentado. A falta de leis específicas que cumpram a determinação do parágrafo 5 do artigo 220 cria um vazio legal que permite a existência de oligopólio na imprensa.

Com isso, os conglomerados da Grande Mídia brasileira concentram audiência e influência, deixando as “migalhas” para outras ideologias e vozes da sociedade.

A solução para a situação seria uma regularização econômica da imprensa, medida que foi aprovada por Dilma em entrevista a blogueiros progressistas, mas que desde o governo de Lula vem despertando a “ira” dos poderosos chefões da Grande Imprensa.

A regularização exigiria por lei que os conglomerados vendessem algumas empresas para chegar a um determinado tamanho, adaptado aos padrões democráticos. Porém, essa medida supõe perda de propriedade e de lucros para as empresas, motivo pelo qual eles - e Aécio, que conta com seu apoio - se opõem a qualquer ação que limite a propriedade cruzada.

Como o oligopólio favorece o discurso único de uma ideologia e exclui outras vozes da produção informativa do país, sua consolidação supõe perdas de características democráticas para a sociedade brasileira.

Os países europeus sabem disso e são exemplo de pluralidade informativa na mídia.

Países como a Espanha, por exemplo, têm grandes meios de comunicação com ideologias muito diferentes. O progressista El País possui audiência pouco maior ao conservador ABC. Com isso, as influências ideológicas dos meios de comunicação se equilibram dentro da sociedade espanhola, pois os órgãos de imprensa progressistas têm o mesmo alcance que os conservadores.

Essa diversidade nos principais meios de comunicação de um país é a base de qualquer Democracia, pois a sociedade forma sua opinião através de diferentes pontos de vistas e enfoques.

Por outro lado, o modelo de mídia concentrada cria uma opinião pública baseada em um discurso único, que favorece, obviamente, uma única ideologia.

Nesse sentido, Dilma pretende dar um passo que fortalece a Democracia do Brasil, ao invés de reduzi-la. Enquanto Aécio, como bom conservador, prefere manter o padrão atual que favorece o ditatorial discurso único na mídia.

Como dito antes, os princípios democráticos estão baseados na diversidade cultural, na pluralidade de ideias e opiniões, na representatividade de todos coletivos sociais e na mescla de ideologias e de enfoques na imprensa.

Quem lute por esses valores fortalecerá a Democracia. Quem lute contra, favorecerá a "Ditadura" baseada na imposição de uma ideologia à sociedade.

Assim sendo, dia 26 o país escolherá se prefere uma mídia plural ou uma oligopolista, pois a vitória de Dilma ou Aécio determinará a consolidação de um dos projetos midiáticos que pretende transformar o país através de uma ou outra ideologia que disputa o poder.